12 Junho 2008

Viagens...pelas flores (indonésia)

... seguimos para uma negociação, desta vez de uma mota para irmos ver umas quedas de água. Alugámos uma por 100 mil Rupias e lá fui eu a conduzir com a A. atrás, com uma mochila carregada de água, máquinas fotográficas e GPS.

O Veículo.

O caminho não foi difícil de encontrar (as opções não eram muitas) e a estrada é praticamente a única, até ao desvio que vai dar às águas.

Faço aqui um parêntesis para falar das estradas.

Dois carros lado a lado ocupam-na na sua totalidade, os tipos de piso são o mais variado possível, desde um alcatrão razoável, até um aglomerado de pedras que não faz nenhuma inveja a um leito de rio caudaloso. Por vezes, deixa de existir metade do piso, noutros casos tem buracos, que fazem antever futuras estações de metropolitano, enfim, ingredientes que tornam a condução num verdadeiro exercício de perícia digno de um qualquer condutor de motas do circo ou de poço da morte (aqueles que haviam antigamente nas feiras).

Final de parêntesis.

As povoações ao longo da estrada são bonitas, e relativamente bem arrumadas. Sinal distintivo são algumas casas que além do entrançado tradicional do bambu estão pintadas com muitas cores e motivos que vão desde o pura e simplesmente geométrico até nomes dos donos da casa. Algumas, poucas, são figurativas.


Aspecto das casas de bambu, coloridas.

Encontrado o desvio para a aldeia, sabíamos que a estrada ia ficar pior. Torna-se numa montanha russa de subidas e descidas, acompanhada de curvas apertadas e bordejada de uma floresta verdejante que quase toma conta da estrada.

A certa altura deixa de haver estrada e passa a um amontoado de pedras. Deixamos a mota e seguimos a pé, num caminho que vai dar a uma aldeia. As primeiras construções que avistamos são uma igreja e uma escola. Subimos a um pequeno terreiro com vista para o pátio, onde algumas dezenas de crianças brincam orientadas por alguém mais velho. Tiramos as máquinas fotográficas e tiramos algumas fotografias. Alguns dos miúdos reparam finalmente em nós e desatam TODOS a correr na nossa direcção gritando. Uma verdadeira cena de filme. Aquilo que ao principio eram algumas dezenas transformam-se agora em muitas dezenas e quase todos em cima de nós aos gritos para lhes tirarmos fotografias e as mostrarmos.

Crianças e mais crianças...

Depois de me desenvencilhar dos mais próximos, finalmente consigo dirigir-me ao senhor mais velho que entretanto também se aproximou. Vestido com uma espécie de farda azul, um senhor magro, distinto, de bigode sorri e cumprimenta-me, depois de eu fazer o mesmo. Um outro mais jovem aproxima-se e cumprimenta-me com um “hello”, sinal de que sabe alguma coisa de inglês. Lá lhe explicamos que estávamos a fazer um passeio, de onde vínhamos, para onde queríamos ir, o que fazíamos e tudo aquilo que é protocolar nestas ocasiões.

Quantas recomendações e notas se podem fazer acerca destas aproximações e conversas com as pessoas dos diferentes locais do mundo. Começo a compreender a importância do tempo, do dar tempo, do ter tempo, para nós e para os outros, mas estas observações ficam para uma segunda oportunidade.

Ficamos a saber que mais à frente era a aldeia e que lá podíamos encontrar alguém que nos levasse até às quedas de água. Assim, seguimos viagem, acompanhados por um grupo de miúdos que nos tocavam ou sorriam para nos, atirando de vez em quando um “hello mister”. Para os que conhecem, podem confrontar isto com Timor-Leste (eheh).

Na aldeia, que corresponde a uma rua larga bordejada de casas dos dois lados, apareceu logo um moço que falava algum inglês e que nos indicou 2 outros rapazes que nos acompanhariam até às quedas. Um deles morava na loja da aldeia e logo ali comprámos umas bolachas para levar connosco. O outro moço mais forte carregou-me a mochila com prazer.

O caminho desce uma encosta até à linha de água, e depois de atravessar alguns campos de cultivo que estão junto à aldeia entra numa mata cerrada e escura em que alguns pés de café alternam com zonas de bambu ou de outras espécies exóticas que não consigo identificar. Os 2 moços seguem a alta velocidade caminho abaixo e para os acompanhar tenho que apertar o passo e olhar bem onde piso.

A certa altura já se ouve água a correr e a humidade é bastante grande, até que chegamos à zona onde corre um rio de uma água verde escura e que tem ar de ser bastante fria. Caminhamos pela margem, rio acima, até um local onde a natureza escavou umas marmitas de gigante, entalhando o rio em 3 ou 4 metros de largura e onde se ouve uma queda de água que apenas se antevê.

Rapidamente os nossos guias se põem em cuecas e saltam para a água, incentivando-nos a fazer o mesmo. Mais lentamente e um pouco relutante pelo frio que a água parecia estar, salto lá para dentro. Consigo nadar até a uma zona onde se vê a queda de água e fico pendurado numa pedra a tentar perceber a dimensão e o espaço daquele lugar. Um dos guias acompanha-me e fica muito contente por eu estar ali com ele. Apercebo-me que estes moços são bastante protectores e estão próximo de nós como se estes brancos precisassem que alguém tome conta deles.

As quedas de água.

De volta ao sítio onde deixamos as roupas, já um grupo maior de miúdos está por ali (a notícia deve ter corrido rapidamente). Partilhámos as bolachas com todos e seguimos para cima.

De volta à aldeia aproveito para tirar mais umas fotografias das pessoas e da aldeia. A dureza do caminho mostra o quanto andámos, já são quase 3 da tarde e até agora ainda estou com apenas a tosta e as duas bolachas de água e sal que comi junto à queda de água. De mota o percurso agora que já conheço melhor (a estrada e o veículo) é mais fácil. Chegámos cerca das 16h30 a Labuhan Bajo e vamos directos para o Paradise Café tomar um sumo, como não há luz, tenho que beber uma cerveja que pelo menos não está quente, (o sumo não podem fazer que a máquina não funciona sem electricidade).

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