29 Abril 2008

Bee Manas e Mai Fali (voltar)

Bee Manas significa água quente. Fica em Marobo (distrito de Bobonaro) e é uma estância termal que existe pelo menos desde o tempo dos Portugueses.
Para se lá chegar a estrada está má !
Esta é uma daquelas afirmações que para quem conhece Timor sabe que não faz muito sentido. As estradas são todas más melhor será afirmar que em algumas se consegue passar, noutras não. E isso pode variar no tempo.
Bom, a estrada está má, mas em Maliana pode-se alugar uma motorizada negociada para US$10 nos leva aonde quisermos.
Alugamos duas motorizadas... e ba bee manas
Marobo, diak, bee manas bele, estrada la diak, o melhor da conversa que consegui terdurante a viagem com o meu motorista.


Os motoristas, com o seu estilo próprio simpáticos e sempre sorridentes conduzem-nos por uma subida que nos leva a ver Maliana cada vez mais longe e cada vez mais afundada no seu vale, à medida que vamos subindo para a montanha.

Loelaco (o nome da montanha que podia ser o nome de um deus) está sempre presente a partir do momento que deixamos a protecção do vale. Domina a paisagem, como se fosse um deus que olhasse por nós (ou para nós). A cada curva o nosso olhar prende-se nele, falta-nos largura de visão para tanta presença…

Marobo está destruído, um dia a terra fez-se líquido e a poeira da montanha desce pela encosta abaixo, arrastou consigo tudo… Um escorregamento diria um amigo meu…

Mas esta foi só a última das catástrofes que assolou Marobo. Abandonada, esquecida, mal tratada, resta apenas a memória do que foi e fica para a imaginação do que poderá vir a ser.

A água não é quente é fervilhante. Pus o pé e tive que o tirar logo e emana de uma ressurgência na encosta, sendo levada por um conjunto de canais até a uma cascata e à ex-piscina. Existe, mesmo ao lado uma linha de água que leva água fria, penso que as misturavam na piscina.

“O cheiro a enxofre compete com o pior hálito do chifrudo, a água toma cores fluorescentes com depósitos de uma lama pestilenta”, isto poderia ser uma descrição colorida de Marobo.

A volta fez-se da mesma maneira que a vinda. Uma biscota (gosto da evocação gastronómica) que faz o mesmo que a que saiu de Dili, as piscinas, as paragens e… claro, adivinharam a mesma cassete.

Termino por falar da chegada a casa. Chegados a Dili por volta das 17h00 por que raio entrei eu em casa apenas às 18h00. Não, o transito de domingo à tarde em Dili não é assim tão complicado! Não adivinham? Amigos, o autocarro (excesso de civilização é pior que falta da mesma), dizia – o autocarro, entrega cada pessoa à porta de casa. E pensam que é por eu ser branco, malai? Nada disso, no percurso até casa em Colmera, deixamos pessoas no bairro de Vila Verde, em diversas zonas da estrada de Balide, entramos com o autocarro no mercado de Lahene para deixar um senhor e um molho de lenha, alguns “colegas” em Bidau, até nos deixarem em Colmera. Que luxo este de se fazer um trajecto pelos bairros da cidade de autocarro, acompanhado de timorenses que se despedem de nós no final.

Fiquem bem, eu vou com as ondas.

3 Comments:

Blogger VN said...

Já a minha avózinha dizia que ir às termas faz sempre bem, revigora o corpo e o espirito ...
PS: Verga molas

12:13 AM  
Blogger VN said...

E noticias do último fim de semana, não há?
Até já sei que trabalhaste muito ... e bem.

Um grande abraço,
Vanda Narciso

3:39 PM  
Blogger VN said...

Continuamos sem noticias.
O silência deve-se por certo a multiplos afazeres, cada um melhor que o outro :-)
Beijos e abraços

7:22 PM  

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