15 Julho 2009

Domingo em Dili










Não voltei a Dili - pelo menos físicamente - mas estava a percorrer pensamentos à volta de um relatório que tenho que escrever sobre os estudantes timorenses em Portugal. Um dos comentários que eles me fazem é que este país tem muitos velhos.
É verdade... sobretudo para quem vem dum país com uma piramide etária dominada pelos jovens (como aquelas que aprendemos a ver nos liceus).
Aqui pela mui nobre os "meus meninos" costumam ir à missa ao domingo e só encontram velhos (gosto do termo... não lhe acrecento nenhuma carga depreciativa é apenas um qualificativo).
Ao rebuscar as minhas fotos de Dili encontrei esta que tirei na saída da missa ao domingo, na estrada de Lahane. Vejam como as meninas vão à missa todas bonitas. Porque é que ninguém falta à missa?
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12 Junho 2009

Dia da Independencia


Não posso deixar de escrever sobre o dia 20 de Maio.
É o dia da independência de Timor-Leste, mas é sobretudo um dia de festa. As pessoas saiem à rua como não saiam antes. Vêm de todos os sucos a caminho de Dili. Esta fotografia foi tirada durante uma festa em casa do Francisco Xavier, à frente dela, espalhando-se pelos passeios e avenidas. Dança-se, canta-se, há lutas de galos, mas sobretudo comemora-se e vive-se uma liberdade carregada de alegria que está estampada nos rostos das pessoas.

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18 Maio 2009

Jardim 5 de Maio

Lentamente, com muitas contestações, histórias contadas em conversas de café, e com contornos que se nos escapam, Dili vai-se transformando.
Não se vislumbram restos de campos de refugiados, algumas ruas vão sendo compostas, os passeios vão crescendo, e eu gosto sobretudo do que está à beira mar depois do Palácio do Governo.. O campo de refugiados que estava no espaço que vai entre o Hotel Timor e o Porto deu lugar a um jardim infantil, sempre cheio de crianças e lugar de passeios de domingo.
Gostei...

Dili, Maio de 2009


Podia falar-vos dos finais de tarde, da amena brisa do mar, dos sumos de fruta natural, entretidos com dois dedos de conversa, ou então, mandar-vos uma fotografia em jeito de postal.

22 Janeiro 2009

Resistir

Ainda a propósito da minha estadia natalicia em TL. O mercado que estava no fim da avenida das embaixadas (??mercado de comoro??) foi desmantelado. Estão a reabilitar uns muros (parece que a democracia para florescer necessita de muros) e mandaram toda a gente para outra parte.
Mas há os resistentes. Estes pescadores ainda continuam a vender peixe protegidos por uma sombra e no melhor 'spot' do mercado, na esquina. A resistência é marcada pela acção, mas não posso deixar de achar graça ao simbólico que é a bandeira também estar lá para os proteger, pelo sim pelo não.
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22 Dezembro 2008

Natal em Dili

Não quero escrever sobre o Natal, muito menos sobre o Natal daqui.
Não quero falar das árvores extra-terrestres que por aqui aterraram.

Para quem conhece esta é a rotunda do aeroporto, sim aquela que tem uma chafariz-sem-água.
Não vos trago imagens dos presépios que nasceram a cada esquina, e das sempre modificações que renascem pelos caminhos que sempre percorri.
Trago-vos antes o veículo que me guia, uma Honda-phatom, que parada na areia branca mostra os novos muros com estatuetas.


Mostra também os meus caminhos interiores sempre percorridos em circulos-caminhos do meu labirinto interior.
Trago-vos imagens do céu argentio que tem acompanhado os dias e aquilo que me encantou, que me translevou para o outro lado do Indico (saudades de Maputo) que me banha.

ACÁCIAS em flor, uma chuva de confétis vermelhos que comemora por agora os dias de Dili.


Confuso fico com a alegria de estar no Sul, neste Sul verdadeiro, de calor, cor e sorrisos nas caras de crianças e adultos.


Fiquem bem que eu volto já.

10 Dezembro 2008

De volta...


Estive fora do mundo blogueiro.
Amuado por ter máquina fotográfica avariada. Agarrado na teia dos projectos, orçamentos, protocolos e outros disparates que tecem a teia a que ficamos agarrados, perdidos de sermos nós e de existir.

Lá fora está frio e eu choco uma gripe.

Anima-me a vertigem da viagem, ir para o Sul, atravessar o equador e escapar por momentos a essa rede.

Deixo-vos as buganvilias do meu jardim vistas por máquina nova e em breve com histórias novas.

27 Junho 2008

Bajawa: Duas noites na Suiça: Parte 1-Até a aldeia de Bela

Em Bajawa fiquei num hotel com um nome que se adequa ao local. Estamos na montanha (acima dos 1200m) e o frio aqui já é significativo para o que é normal nestas latitudes.
Bajawa está guardada por um vulcão, o Iniere. Da varanda em frente ao meu quarto de hotel posso vê-lo.



Quando chegamos era quase noite e o dia seguinte esteve sempre encoberto. Sabíamos que ele ali estava mas não o víamos. Quando chegamos, à noite fomos jantar ao restaurante mesmo ao lado do nosso hotel. Ah!! eu ainda não disse o nome, pois se é na Suiça só poderia ser... Edelweiss.
No dia seguinte fomos visitar algumas aldeias tradicionais desta região, aldeias Ngada (o povo desta região da ilha).
São idílicas, como que transportadas de um outro tempo, ou melhor como se fossem retiradas de um filme em que quase tudo é perfeito. Não há sujidade, maus cheiros, etc. Estas aldeias de facto são assim, de filme. Estava um dia de nevoeiro oq eu ainda mais as transportou para uma dimensão mística. E agora os nomes: Bela, Luba e Bena. Digam lá que não parecem 3 irmãs...


Bela: Aldeia Ngada.

Depois de percorrer um pequeno desvio chegámos à primeira das aldeias - Bela. Está uma "murrinha" e quase não se vêem as pessoas. Uma mulher bastante jovem está à entrada a moer café com um pilão . O nosso guia começa a explicar-nos as tradições e a significação dos elementos que estamos a ver. A nossa curiosidade passa por tudo, desde a disposição das casas em torno de uma praça central, até ao facto de haver sepulturas no meio da praça, às pequenas construções totémicas no centro da praça - mulher e homem, os totem-homem têm um telhado cónico e são um pouco mais altos. Os totem-mulher têm um telhado semelhante ao das casas e são ligeiramente mais baixos.
As pessoas estão abrigadas nos alpendres das casas. Umas - elas, mascam arica, outras - eles, fumam tabaco de enrolar. Algumas crianças carregam os irmãos ao colo.
Os totens tem entalhes na madeira e alguns lembram-me símbolos que também vi em Timor Leste.
As casa tem uma base feita a partir das rochas vulcânicas da região e as paredes são de madeira e bambu, seno o telhado feito de capim e bambu.
Na foto acima pode-se ver uma rede que parece de voleibol mas que na realidade é de fute-volei.

20 Junho 2008

Mercado de Ruteng




Li, algures, que Ruteng era o ponto de confluência e de encontro das diversas aldeias/clãs que vivem nas montanhas. Que sítio melhor que um mercado para se (vi)ver todas estas sensibilidades.

Passear com uma máquina fotográfica num mercado é sempre um convite à confraternização. Tanto mais sendo-se um "estrangeiro" no meio de tanta gente. Há aqueles que pedem que lhes tiremos fotografias, há aqueles que não querem, enfim de tudo. Assim, estes 2 factores fazem com que as fotografias dificilmente sejam espontâneas, autenticas.
O mercado de Ruteng é palpitante ou intimidante quando não se está à vontade nestas situações. Passeei tentando passar despercebido, tentando observar e perceber as pessoas e as suas actividades. Dizer que se vende tudo é exagerado (isso seria mais uma imagem para alguns daqueles mercados que vi em Moçambique, ou que imagino em Angola).
Desde logo, nas imediações do mercado existe uma panóplia de vendedores de comida e um movimento acima do normal para as ruas da cidade.


Vendedores de banana frita (Pisang Goreng) e outros petiscos.

A zona mais interessante será talvez a das comidas. Começa pelas cores. Quantos tons? com que paleta se pinta?


(Batota) esta é do mercado de Bajawa.
Depois faço o posts deste mercado.



Depois vem as coisas bizarras, exóticas, ah! e os cheiros que elas trazem com elas.
Peixe seco, carne estendida na banca e que raio é aquela coisa branca dentro de caules de bambu?


Peixe seco, um petisco...



Carne para o bbq.


Que contentes que ficamos quando já conseguimos reconhecer produtos regionais e olhamos para alhos, cebolas, batatas e cenouras e os vemos como legumes estranhos nestas paragens.


Os legumes para a sopa.

E o melhor de tudo, claro são as pessoas, sorrisos, conversas que se têm, negócios que se fazem, lições que se aprendem.



Que tem o Ás???

Mangarai: de Labuhan Bajo a Ruteng

É assim, estas palavras agora ressoam-me na cabeça e de cada vez que isso acontece volto aos braços do azul do mar, das temperaturas sempre amenas e de um verde tropical.
Mangarai é o povo que habita a região poente (Oeste) da ilha das Flores. A capital é Ruteng.
Fiz a viagem num carro alugado e negociado em Labuhan Bajo (vêem o que eu digo das palavras que re-suam na memória). Nas enciclopédias online diz que são um povo de agricultores. No caminho passámos por diversos campos de arroz. Cancar (leia-se chanchar) é o mais espectacular deles. Um vale enorme, quando passávamos estavam a debulhar o arroz, aonde? o melhor é ver a foto...

Cancar, debulhar o milho.

A estrada é semelhante às outras que já descrevi, sendo menos assustadora de carro. A paisagem na montanha é arrebatadora. Conhecem o Douro património da humanidade? Os socalcos nas vertentes da montanha? Pois, pode-se ver o mesmo aqui, em versão arroz.


Arroz de montanha.

Pelo caminho, olhando pela janela ou parando junto às pessoas pude ir vendo as diversas fases do cultivo do arroz. Pela primeira vez vi uma máquina que prepara o campo para o arroz, mas a maior parte das vezes são os búfalos que fazem esse trabalho.


Preparação do terreno mecanizada.


Preparação do terreno por búfalos.

No caminho tentámos encontrar um sítio onde tínhamos ouvido falar que existiam campos de arroz no formato de teia de aranha. A comunicação com o nosso motorista não era fácil e assim não os encontrámos.
Deixo aqui um link para quem quiser ver a foto do que estou a falar: http://www.floreskomodo.com/geography.html

Chegados a Ruteng almoçámos num restaurante que o nosso motorista recomendou (da família concerteza). A comida não era má mas decidimos ir tomar café a um outro sítio que no Lonely Planet dizia ter um bom café e bolos. Era de facto o MELHOR café das flores, aliás, O ÚNICO café expresso que até agora tínhamos encontrado. Os bolos, não passavam de pão com chocolate e portanto não arriscámos.

Deixo os mercados para outro post que esses merecem atenção especial.